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"Meu amigo meu compadre meu irmão
Escreva sua história pelas suas próprias mãos"
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Das minhas andanças Em princípio, era apenas mais uma relação profissional entre um artista
e um jornalista. No entanto, depois de algumas entrevistas, já saíamos juntos, pra tomar
uma gelada, sempre que ele vinha a Vitória. Dentre os fatores que marcaram essa
aproximação, destaco o amor à música, o fato de sermos mineiros e termos vivido na
mesma cidade, e o gosto pelo futebol (joguei nas categorias de base do Democrata, de
Governador Valadares, onde o ZG foi criado e onde o Carlos Antônio, irmão dele, surgiu
para tornar-se um dos maiores meio-campistas da história do futebol profissional de Minas
Gerais). Um dia, o ZG me convidou para viajar com ele e a banda, que na época era
formada por Fernandinho Melo, do Duofel, (guitarra), Armando Sinkovitz (baixo) e Flavinho
Nascimento (batera), durante minhas férias no jornal. Foi uma excursão por Minas, Bahia
e Espírito Santo. Além de ter sido muito divertido, aquele mês de setembro de 82 iria
marcar minha vida pra sempre, porque ali eu fui definitivamente contaminado pelo vírus do
amor à música e à estrada. Até então, minhas ligações musicais mais fortes eram
duas: a) meu pai, Raimundo Tavares Dias, cantor da noite e ritmista, tinha o apelido de
Chico Viola (o mesmo do cantor Francisco Alves, famosíssimo até os anos 50), b) eu já
tinha desenvolvido um trabalho de composição, nos 10 anos em que morei no Rio de
Janeiro, em parceria principalmente com Gilson Padilha, Jorge de Magalhães e Manoel
Santana (quando conheci o Manoel Santana, ele já tinha idade bem avançada, enquanto eu
andava pelos 25. Acabamos perdendo o contato quando me mudei do Rio. Ele foi o vencedor do
carnaval carioca de 1950, com um famoso samba chamado "Se é pecado sambar", que
a Beth Carvalho regravou na década de 70 e foi um sucesso de rádio). Parceria Um mês depois de ter passado as férias viajando com o ZG, nasceu nossa
primeira composição. Eu tinha escrito uma letra relatando o fim de uma relação amorosa
que me causara uma enorme depressão. Nesse dia, o ZG tava hospedado em minha casa, um
apartamento que eu dividia com um amigo, e sobre a mesa da sala tinha ficado o poema que
eu acabara de escrever já no fim da noite. Ele chegou da rua bem tarde e encontrou o
texto. Acontece que o Zé é um conhecido madrugador, de modo que lá pelas seis da manhã
eu acordei ouvindo o som de um violão que vinha da sala. Pois era o Zé, que já tinha
musicado o poema. Assim nasceu "O preço da rosa" nossa primeira parceria. No ano seguinte, eu ouviria a música tocada ao vivo pela primeira vez, na
cidade mineira de Resplendor. Foi um dia muito importante pra mim, também porque ali eu
conheci duas pessoas cuja amizade me enternece até hoje o coração: o guitarrista Aroldo
Santarosa e o baixista José Pienasola (Pié), dois queridos irmãos que a estrada me deu
e que me ensinaram muitas coisas que me fizeram crescer um tanto. No início de 84, resolvi voltar a viver no Rio de Janeiro. No mês de
julho, o ZG ligou e me convidou para escrever o encarte do disco "Sol Girassol",
que estava quase pronto. Fui a São Paulo, escrevi o texto, voltei ao Rio só para
rescindir meu compromisso com a TV Manchete e me integrei de vez à equipe do Zé, como
assessor de Imprensa e auxiliar de produção de shows. O disco "Sol Girassol"
já registrava duas parcerias nossas: "O preço da rosa" e "Luz ainda que
tardia", cuja letra eu tinha feito no Rio e mandado para o ZG pelo correio. Jogo de cintura Até então, eu tinha sido um sujeito muito racional, desses que conduzem
as coisas muito mais pelo cérebro do que pelo coração. Coisas de virginiano. Minha
experiência na área da Comunicação Social limitava-se até então a trabalhar em
redação de jornais, revistas, além de emissoras de rádio e de TV, onde a normalmente a
gente dispõe de recursos técnicos e um suporte dado por fotógrafos, cinegrafistas,
correspondentes, sucursais, agências de notícias, telex, internet etc., além de
departamentos de pesquisa. Então, quando fui para a estrada, deparei-me com outros
desafios que começaram a me dar o jogo de cintura que me fazia tanta falta. Foi aí que
aprendi o valor de uma centena de cartazes bem-pregados ou a importância de subir num
poste pra pendurar uma faixa anunciando um show. Ou mesmo de pegar um microfone e passar
horas dentro de um carro de som, chamando o povo. Um aprendizado riquíssimo, impagável. Além disso, só quem vive na estrada sabe dos constantes imprevistos
possíveis, das situações que a gente precisa administrar e onde só o bom senso pode
ditar o caminho mais apropriado. Hoje, sinto que já começo a manter o centro de
decisões a meio caminho entre o cérebro e o coração. Um grande avanço, né? Foram seis anos vivendo num ônibus, quase que só retornando a São Paulo
para trocar de mala. Um tempo de muito sacrifício para todos. E de muito sentimento e
muita poesia. Alguns desses anos eu vivi na casa do Aroldo Santarosa, nas Perdizes, bairro
onde também ficava o nosso escritório. Nessa época, passaram pela banda o Cacá Bloise
(guitarra), além do Fernandinho Melo (de novo), o Luizão Bueno, do Duofel; o João Paulo
e o Duda Neves, na batera, e o Pety Calazans, no baixo. Recordo apenas os mais efetivos e
cujas relações me marcaram mais. Infelizmente, não consigo lembrar de todo mundo. Nas
Perdizes, a gente trombava direto com João Bá e Dércio Marques, que se hospedavam numa
enorme casa onde também já tinham morado Diana Pequeno, Doroty Marques e muitos outros
artistas da chamada música regional. Nesse período, produzimos o elepê "No arco da porta de um
dia", onde estou presente como compositor em quatro faixas: "No arco... "
(Zé Geraldo/Paulo Neto/Tavares Dias), "Lua curiosa" (Zé Geraldo/Cacá
Bloise/Tavares Dias, "Lua no alforje" (Zé Geraldo/Tavares Dias) e "Dava
gosto..." (Zé Geraldo/Tavares Dias). Duas outras parcerias daquela época estão no
novo CD do Zé, No meio da área: "Coroação de Maria" e "Traficantes de
Abobrinhas", ambas de Zé Geraldo/Tavares Dias Em 88, volto ao Espírito Santo e retomo o trabalho como editor em A
Tribuna e em A Gazeta. Entre 89 e 90, nova temporada em Sampa, desta vez trabalhando na
editora Best-Seller, na revista IstoéSr. e na editora Globo. São desse período as
músicas "Truques do tempo" (Zé Geraldo/Aroldo Santarosa/Tavares Dias) e
"Cantiga de chuva" (Luizão Bueno/Tavares Dias). Hoje, três das nossas
parcerias já foram regravadas ("Lua curiosa", "O preço da rosa" e
"Luz ainda que tardia", o que me estimula a continuar melhorando e a seguir
compondo com o ZG. Desde 91, estou morando em Vitória (pela quarta vez). Em 95, casei-me
novamente, apadrinhado pelo ZG e pela primeira-dama, Dona Izilda. Também naquele ano,
lancei "Sinais de mim", meu primeiro livro (poesia), com direito a show do Zé
no lançamento. O livro foi lançado também em Guarapari, no Rio de Janeiro, em São
Paulo e em Newark, no Estado norte-americano de New Jersey, em promoção do jornal
Brazilian Voice, cujo representante no Brasil somos nós. No momento, cuidamos principalmente de nossa empresa Paginaum Jornalismo
Editora e Promoções Ltda., sem esquecer a música. Com a graça de Deus, deverei
lançar, ainda este ano, meu primeiro disco como cantor. O trabalho deverá ter a
direção do Zé Geraldo e se chamará "Passarim do bem". Na área da
literatura, estou preparando a trilogia "Venturas e aventuras de Bastchão Bedurri
(invencionices e acontecências)". Cada um dos três livros deverá ter entre 10 e 12
contos. O Bastchão Bedurri é um personagem parcialmente autobiográfico a quem eu dou
voz para contar situações que vi, vejo, vivo e vivi nas minhas andanças por este mundo
de meu Deus. Estou tratando os textos com muito carinho, na esperança de que fiquem bons. Gratidão Acho que aí estão os fatos mais marcantes da minha trajetória de
parceiro e amigo do Zé Geraldo. Hoje, quando encontro, nos mais diferentes lugares, até
fora do Brasil, pessoas que conhecem trabalhos meus através do Zé, fico pensando que
quando eu era criança, na pequenina Tumiritinga (no Vale do Rio Doce, MG), onde nasci,
jamais eu poderia imaginar que um dia meus versos simples de pessoa do interior chegariam
a lugares tão distantes, levando meus sentimentos mais sinceros a pessoas tão
diferentes. Isso me torna um cara feliz. Portanto, quando falo da minha ligação com o Zé eu gosto sempre de
destacar o aspecto gratidão, um sentimento que considero importante na vida de todas as
pessoas. Todos somos imperfeitos e todos teremos sempre coisas em que melhorar, então é
fundamental a gente procurar ser capaz de reconhecer o bem recebido e se colocar como quem
reconhece isso. Desejo então que todas as pessoas que tenham acesso a este texto possam
saber que é grande a minha alegria por ser amigo do Zé, da família dele (que bom ver
nosso filhos também se tornando amigos), dos músicos que o acompanham, dos profissionais
que cuidam dos aspectos administrativos da sua carreira (salud, Dom Petrus!), e também
comemoro o fato de ser querido e bem-recebido pelo público dele, como tem acontecido em
todos os lugares onde chegamos juntos. Sejamos todos felizes. E que o mano Zé Geraldo, esse artista tão importante para a música do
nosso País, siga envolvendo um número cada vez maior de pessoas com seu som, seu
balanço, sua poesia e seu jeito simples e verdadeiro de tratar a todos. Para alegria
geral. Viva Deus. Tavares Dias
"Zé Geraldo é um dos cada vez mais raros
personagens autênticos da música popular brasileira. Sua palavra é amolada nas pedras
de amolar das beiras dos caminhos por onde peregrina. Afiada como faca, corta o seu
próprio coração e o expõe valentemente. Faz o mesmo com o coração do Brasil. Como
numa aula de anatomia, nos mostra as camadas internas do sentimento brasileiro, do
coração brasileiro. E desafia a lógica vã ao falar, às vezes, de temas ásperos com
um acompanhamento musical de classe, seguro, que sabe como sublinhar uma interpretação
cheia de charme sem lhe tirar a autenticidade." Segue assim Zé Geraldo, ora num trem que corta o
sertão, ora no avião dos imigrantes que tentam a sorte em outros países. E perambula
silencioso pelo dia a dia das cidades grandes. Não foi fácil chegar aos palcos, mas o lance da
ousadia sempre foi a sua especialidade. Zé lança em profundidade a sua voz pelo céu dos
pensamentos das platéias mais distantes. A sua voz ecoa nos rodeios e nas universidades
fazendo sonhar, fazendo sorrir e dançar. Sem preconceito. Depois de escutar Zé Geraldo, talvez você também
se pergunte: É drama? É comédia? A resposta que encontro é simples. É a vida. É o
inacreditável mundo de Zé Geraldo. Um brasileiro e tanto. Vá, escute e depois me
conte..." Gutemberg Guarabyra (da dupla Sá e
Guarabyra)
O Síndico e o Conselheiro
Em 1994, começei a trabalhar com Renato Teixeira, produzindo jingles e também na realização do CD “Sonhos Guaranis”, e numa daquelas reuniões musicais, na casa do Renato, conheci o Zé Geraldo, que por coincidência do destino, se tornou meu vizinho um ano depois, no edifício Pinheiros New Time, na famosa Vila Madalena.
Era de costume quase todos os dias depois do almoço, subir para o oi tavo andar, no apartamento do Zé, tomar aquele café fresquinho, feito por ele mesmo através de um processo artesanal.
Um dia, numa daquelas reuniões de condomínio, o tema era a eleição do novo síndico, onde estavam presentes entre outros, eu e o Zé. Na hora da apresentação dos candidatos, ninguém se manifestou, foi quando eu, num gesto impensado me candidatei junto com uma outra pessoa, e para minha surpresa, ganhei. E agora? pensei... meu amigo Zé, percebendo a roubada que o seu jovem vizinho tinha se metido, aceitou ser o Conselheiro para assuntos financeiros. A nossa gestão foi tão boa que fomos reeleitos tres vezes, acabando apenas no ano em que me mudei para outro endereço.
Nos tornamos grandes amigos, e de amigos-parceiros compusemos a canção “Nos raios da manhã”, que estará no meu próximo CD, gravada com a participação do Zé.
Zé Geraldo sempre acreditou no novo. Por isso é que o novo sempre amanhece. |