Renato Teixeira

Zé Geraldo “Catadô de Bromélias”

Quando José quis ser jogador de futebol, o destino disse NÃO!
A música veio em seu socorro e assim fez-se a vida.
Desde o início José quebrou pedras, abriu picadas, e se reinventou quantas vezes foram necessárias para poder continuar dentro do circulo musical que, às vezes, é mais viril que um zagueiro.
Então aquele sujeito esguio e raçudo de Rodeiro, uma pacata cidadezinha mineira que, reconhecida, lhe construiu uma estatua, resolveu cantar sua história.
Muitos anos se passaram e, com garra, José foi mostrando recantos, temores, paisagens, dias de sol e de chuva, e acabou revelando em sua obra, um Brasil à seu modo, dramático, aventureiro e sonhador.
Foram muitos discos e shows, viagens sem fim, muita beira de estrada, muitas noites viradas, tudo para mostrar aos seus seguidores, entre os quais me incluo, uma realidade não oficial que desdiz a hipocrisia e não tem medo de se mostrar completamente nua.
Deu milho aos pombos e construiu uma escola onde seus filhos não podiam estudar. Viveu experiências pessoais densas e trafegou no escurão, sem anjos.
Venceu todas as batalhas e, ileso, ressurge como sempre, agora transformado num sábio “Catadô de Bromélias.”
Sinto no ar uma brisa mansa que, futebolisticamente falando, vai fazer o José correr para o abraço.
É tempo da reflexão profunda no seu reencontro com a roça, em São Luiz do Paraitinga.
É tempo de reunir seu povo, de juntar os fatos e ser saudado como um dos artistas mais expressivos do país.
Zé Geraldo é folk brasileiro; sempre foi e sempre será! Talvez o primeiro de toda uma geração que se formou em torno dos americanos dos anos sessenta, como Joan Baez, Peter Paul and Mary, Bob Dylan e muitos outros, povoando o planeta com canções livres e soltas, tocando no coração e na consciência daqueles que sabem que é preciso cuidar da música e do conteúdo poético, para que as palavras não percam o sentido.
Agora, que cada um vá catar suas bromélias!

Renato Teixeira